terça-feira, 11 de agosto de 2009

Baixe o Livro

DOWNLOAD do Livro

Após anos escrevendo e aliviando a alma com palavras de dores e expressões sombrias, finalizo esta série e este tema.

...ALÍVIO DA ALMA... é o nome do livro que relata todos esses desesperos e dores. Dores não sentidas por mim, mas pelo mundo que por mim permeava.

Deixo exposto o link para baixar e ler o livro. Mas lembre-se... A dor das palavras é o Alívio da Alma!!!

Agora parto para um novo tema que ainda hei de explorar. Em breve um novo blog com a nova série de poemas e artes.

Um grande abraço.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Hoje



Avisto um escuro no céu


Um céu monocromático


As ruas fechadas despertam


O caminhar oportuno


De quem não chora



Vejo rostos felizes


Habitarem uma profunda dor


A alegria brilhando no olhar


De uma triste alma



Vejo alguns homens


Trabalhando na construção


Parece-me que não sabem


O que há por além daquelas ruas



Há crianças chutando


Pedaços de corpos


Sem ao menos saber


Do que se trata



Uma compreensão vasta


Do mundo de hoje


Ao lado vejo o sangue


Brotar por entre as torneiras



Eu me acalmo


Tudo normal, tudo como antes

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Óleo e Carvão sobre Cartão




terça-feira, 21 de julho de 2009

Meia Noite no Inverno - Vídeo

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Meia noite no inverno

Acrílica e Carvão sobre cartão




Meia noite no inverno

O homem mata
O corpo treme
A mão navalha
A dor poente

O tempo cura
A calma é dura
No ludibriar
Da alma impura

X X X

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Escuro

Na poesia há tristeza
Ela amarga
Ela fere
Uma febre
Vertiginosa
O consome
Teu corpo sai
Das entranhas das palavras
Uma poesia feita de dor
Imóvel, estática
Como o labirinto
Dos incompreendidos
Sem dizer o seu nome
Sem fugir dos seus pensamentos
O abismo o aguarda
Desumanizando a solidão
O escuro o trai
Como uma pedra
No deserto melancólico
De seus versos

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tão Longe na Serra


















Clique na imagem para ampliar

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O Boi

Vídeo-arte sobre a saga do boi rosado pela cidade.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Malevolência




quinta-feira, 2 de julho de 2009

Perecível


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Publicação no Jornal Aldrava de Mariana

Com muita satisfação recebo a publicação do poema VENTURA no Jornal Aldrava de Mariana. Obrigado a todos os Aldravistas.

Clique na imagem para ler
ou no próprio site do Jornal Aldrava

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Meu Aniversário


sexta-feira, 29 de maio de 2009

Monstrinho azul

Nos ajude a dar um nome ao Monstrinho azul que caiu por aqui. Ele veio de Aserterban. Um planeta de invertebrados. São feitos de barro e a principal característica deles são.......... esconder coisas!!!!




segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Nuvem

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Paz e Poesia 2009

(Poesia, paz, amizade, cultura, solidariedade...)

A segunda edição do Poesia e Paz aconteceu no último domingo, dia 17 de maio. Os poetas se concentraram no Mercado das Flores, todos devidamente vestidos de branco. Mas, ali mesmo, o branco foi ganhando cor, letras, poesia! Uns escrevendo nos outros, unindo a poesia e a paz.

Dali partiram em passeata pelas ruas da Av. Afonso Pena, em meio a diversidade da Feira Hippie e guiados pelo alegre e contagiante “Boi Rosado”.

A caminhada seguiu até o centro da Feira, na altura da Av. Álvares Cabral, aonde os poetas se “muniram” com mais de 1.000 livros e partiram para distribuir para todos os feirantes. Em troca, receberem sorrisos, agradecimentos e com certeza muita paz.

Já com muita poesia e paz espalhada, os poetas continuaram a caminhada até se encontrarem com dois grandes mestres, Carlos Drummond e Pedro Nava. Tiraram várias fotos, trocaram versos e plantaram flores de papel.

Todos prosseguiram até a Associação Mineira de Imprensa, na Rua da Bahia. Ali os versos ganharam vida... Vários poetas subiram ao palco e declamaram, interpretaram e viveram sua arte. Além disso, várias instituições e entidades foram agraciadas com o trófeu do Poesia e Paz, um lindo protótipo de uma pomba estilizada, feita por Antônio Carlos Dayrell. Clevane Pessoa, idealizadora do Projeto, entregou a cada um a pomba da paz e também a recebeu, com todo o merecimento.

Para finalizar, todos compartilharam um delicioso feijão tropeiro, regado com muita poesia, cultura e paz.



No alto: VIKO(Levy Gomide), J.B.Donadon, Umberto (Poeta e engenheiro da SOPASA), Wilcon Miranda(Presidente da AMI), Os gêmeos Leosino e Leonildo e a namorada deste), Marco llobus e Iabá; A seguir,m de camisa verde, à esquerda: Maestro Andersen Viana, Elane, da Academia de Letras de Santo Antonio do Monte, Antonio Dayrell, o criador da mascote, J.S.Ferreira, Iara Abreu. Abaixo:o casal Diane Mazzoni, com a pomba da paz e Bruno Grossi (ambos da Revista Nota Independente, Programa Trilhas de Minas e Ilustradores do Turadinhas), a cantora e violonista Luna Mattos, Clevane Pessoa, Gabriel Bicalho (camisa branca), Terezinha Tomão, Bilá Bernardes, Angela Togeiro, Graça Campos. De vermelho, a Diretora do MUNAP, Regina Mello. Abaixados: À direira, Andreia Donadon (Presidente da ALB e Governador aRegional do inBrasCI) e Marilza Albuquerque, presidente do inBrasCI(Rio de Janeiro), Tania Diniz, Claudio Márcio e Livia Tucci, com a mascote (pomba da paz/2009)


Poetas amigos reunidos


Bruno Grossi


Corrente da paz


Iara Abreu


Diane Mazzoni


Bruno Grossi e Tânia Diniz

Poetas se divertindo com "O Boi"


Iabá ao fundo e Porta Estandarte e poeta Diane Mazzoni


Silvia Motta e Brenda com os amigos poetas

Graça Campos e Clevane Pessoa segurando a "Pomba da Paz"


Diane Mazzoni e Guimarães Rosa



Poetas se organizando

Poetas se organizando

Vários livros


Diane Mazzoni se preparando para a distribuição dos poemas


Bruno Grossi como "O Boi"


Carlos Drummond e Pedro Nava

Plantando Poesia

Clevane Pessoa

Poetas no Auditório

Léo e Léo

Bruno Grossi
Luna Mattos, Brenda Mars e Lívia Tucci


Sarau Tropeiro

Aldravistas de Mariana
J..B. Donadon-Leal , Andrea Leal, Gabriel Bicalho, Marilza, J.S. Ferreira



Antônio Carlos Dayrell, Marco Llobus, Clevane Pessoa e Cláudio Márcio Barbosa


Viko Uai Gomide declama (Santa Bárbara)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pinhole Day

Participamos do dia mundial da fotografia Pinhole. Nossas fotos.


Bruno Grossi


Diane Mazzoni



Conheça o site oficial.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Itacaré

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Em Saia

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Dom Quixote

Acrílica e Carvão sobre Cartão

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um coração oprimido

Óleo e Carvão sobre cartão

Um coração oprimido
Elegia à Augusto Boal


O dia que se vai
Ao derradeiro leito impermeável
Um corpo, um monólogo
Um coração oprimido

O peito aberto para o povo
Uma arena em chamas
Devaneios sociais, políticos, outrora
E a arena continua em chamas

Representação mútua
Lágrimas insanas
Sorrisos claustrofóbicos
Um insubstituível coração

X X X

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O vôo...

Carvão e acrílica sobre cartão.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tatos Orifícios

Tatos Orifícios é a série que explora imagens subjetivas para relacionar os sentidos e o sexo.






















sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Anjo Caído

Fiz uma elegia à Augusto dos Anjos. Desta, saiu um poema e uma tela. A tela segue abaixo, o poema em breve postarei.


2009 - Carvão e Acrílica sobre cartão

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O Grão Imastigável

Relembrando a produção do livro. Tiragem de 100 unidades esgotou rapidim. Em breve farei uma nova edição. Quem quiser é só mandar e-mail.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Aspectos Urbanos






A artista IARA ABREU teve uma linda exposição itinerante de seus trabalhos na Biblioteca Pública, Regional Barreiro, Via Shopping entre outros...

Ela reuniu arte e poesia, e eu fui agraciado com uma imagem para um de meus poemas "Eu tenho medo".

Mais surpreso ainda fiquei quando ela me disse que meu poema foi usado como ilustração de uma palestra sobre Síndrome do Pânico dada por uma psicóloga que adorou meu poema.

Abaixo coloco o poema, a imagem feita para ele e o banner para a proxima exposição.





sexta-feira, 27 de março de 2009

Zé & José

Este é o Zé e José. Minha primeira escultura. Ele tem duas personalidades. Não é daqui e se alimenta de terra. Por isso ele é dessa cor. Com esses olhos esbugalhados. Olhos de quem comeu e não gostou. Zé e José.





quarta-feira, 25 de março de 2009

Retrato Patrícia Grossi

Esse é o retrato da minha mãe. Foi uma das técnicas e pinceladas que mais gostei de fazer e que chegou mais próximo ao estilo que pretendo seguir, misturando carvão e tinta acrílica. As falhas no contorno, as misturas de cores, o pescoço mais comprido e ombros arredondados. Agora é só aperfeiçoar e treinar.

sábado, 21 de março de 2009

Vulcão :: O homem explode de fora para dentro.

terça-feira, 17 de março de 2009

Ventura

Ao receber a imagem feita pela poetisa Clevane Pessoa tomei liberdade e fiz um soneto.
Olhei para os olhos e me veio estas palavras.
Imagem Clevane Pessoa


Ventura

Sonhos! Delírios! Permanecem verdade
No esgotar das horas tristes
O esgazear que já existe
Nos olhos que permanecem com a idade

O corpo que esfria em demasiado desalento
Esvai-se do espúrio da morte
Ofegando em teu peito um forte
Do mais enfermo pensamento

Eis que sinto um tormento
Por mais que eu tente um lamento
Nos teus olhos a solidão

A esperança me parece pura
Na sombra não acho a cura
Me acolho em meio tufão


X X X

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pessoal, com muita felicidade, recebo um e-mail com a publicação dos meus trabalhos no Notícias Uai, um jornal de Itabira. Logo abaixo coloco como está no site deles.


BRUNO GROSSI: MINEIRO DE BELO HORIZONTE EXIBE SUAS OBRAS NO NOTÍCIASUAI

Publicada em 15/3/2009
Da redação

Minas Gerais. Terra de uma deliciosa culinária, de lindas e misteriosas montanhas, também é a mãe de pessoas brilhantes e ilustres, como o imortal poeta Carlos Drummond de Andrade.

O exemplo disso é o poeta e artista Bruno Grossi, mineiro de Belo Horizonte. É dessa terra, dessa gente, que busca suas inspirações. Como aconteceu com muitos mineiros, desde criança se envolveu com a literatura e com a arte. Começou escrevendo, desenhando e lendo tudo que podia. Poemas, contos, quadrinhos. Além disso, produzia fanzines, compunha músicas e divulgava a cultura e a arte. Criou a Revista Nota Independente, com o objetivo de alavancar e incentivar todo tipo de expressão artística.

"Eu sou regionalista. Gosto de retratar o que vejo e o que sinto. Não tenho nenhum estilo rotulado, nenhum movimento, pois acho que quando aderimos a um, fechamos o caminho para uma só vertente. Eu procuro transcender, concatenar o sentimento para um certo tema. Procuro mostrar exatamente o que estava sentindo na época de cada criação. Quando trabalho pareço me transportar para um mundo desconhecido, de mãos cálidas e corações vis. As vezes pareço incompreender a minha própria certeza, como em um hermético sonho de cores nobres e caminhos farpos", “poetizou” Bruno.

O cinema e a ilustração completam as áreas de atuação desse artista interdisciplinar e multimídia. Nas artes visuais, produz vídeos-arte e curtas-metragens experimentais e complexos, já premiado em festivais.

Na literatura e na pintura, viaja pelo que há de mais íntimo em seu ser. Caminha pelos sentimentos mais profundos e pela emoção. Do trágico ao belo, do calmo ao depressivo. Observar o mundo ao seu redor o inspira e o envolve, fazendo-o escrever e pintar o que realmente sente, transformando-o em um “o outro”. Um outro completamente instigante e envolvente.

Clique aqui para baixar alguns poemas de Bruno Grossi

Clique aqui para ver a galeria de arte Bruno Grossi

*Bruno Grossi é poeta e artista mineiro. Teve poemas publicados no Brasil e do Exterior. Recebeu prêmio e participou de festivais com seus trabalhos de vídeo-arte. Lançou em 2007 seu primeiro livro de poemas "O Grão Imastigável". E-mail: brunogrossi.arte@gmail.com -www.aliviodaalma.blogspot.com

quinta-feira, 12 de março de 2009

Retrato Marina Mazzoni

Retrato da sogra. Óleo sobre cartão.
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domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher


Mulher

A flor que um dia chorou
Perfuma uma nova mulher
O tempo em que silenciou
Não sobrou um vestígio sequer

Nos olhos, nos beijos e abraços
Uma forte mulher ficou
Em braços de ferro e aço
Nos mais belos dias gritou

Sou forte, sou estrela e lua
Por mais que pareça nua
Sou honrada em dizer-lhe não

Sou glória, sou vida e futuro
Por mais que eu esteja no escuro
Eu tropeço mas não caio no chão
Soneto de Bruno Grossi

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cão Xadrez


Transitar por Belo Horizonte significa conviver com várias intervenções artísticas e culturais. Cada vez mais artistas urbanos surgem e invadem os mais inusitados ambientes, transformando postes, bancas de revista e caixas de luz em verdadeiras galerias livres. Eles não se preocupam se sua arte será reconhecida ou não.

O que desejam, na verdade, é transmitir suas idéias e conceitos, mostrar seus desenhos ou, simplesmente, interferir na cidade, enfeitá-la, modificá-la. E, quem sabe, por sorte, causar algum tipo de inquietude, admiração, espanto e interesse nos cidadãos mais sensíveis.

O sticker se caracteriza por ser uma dessas formas de arte urbana. Basicamente, consiste em ilustrações de diversos tamanhos e estilos, xerocados, pintados e colados com grude. Espalhados pela cidade, seus grafismos ricos em detalhes se transformam em uma atração a mais.

Realizar um trabalho sobre a cidade de Belo Horizonte nos incentivou a divulgar essa arte ainda marginalizada pela sociedade.

Decidimos, então, percorrer vários pontos turísticos de Belo Horizonte, registrando estas intervenções através do personagem “Cão Xadrez”. Um sticker criado por nós e “grudado” por toda a cidade para acompanhar os transeuntes solitários.

quarta-feira, 4 de março de 2009

... Alívio da Alma...

Em breve, estarei lançando meu próximo livro de poemas "...Alívio da Alma...".
Pronto e editado, estamos aguardando apenas recursos para enviar para impressão e distribuição.

Assim que ficar pronto, saberão mais detalhes.

Aguardem!!!

segunda-feira, 2 de março de 2009

5 frações de uma quase história

Chegou às locadoras o filme mineiro "5 frações de uma quase história", no qual eu trabalhei como Assistente de Produção de Elenco, e que eu e a Diane Mazzoni participamos como figurante em alguns dos capítulos.
Assistam!!!!
[+] Clique para ampliar a imagem

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Um só dia...


Ao nebuloso escurecer, meus olhos serrados de cansaço se abriram lentamente em um dia escuro, frio e melancólico. A vontade de meus membros se mexerem ficava cada vez mais distante. Peguei o relógio, que fica depositado em um velho móvel, no qual de longe se vê as ranhuras impregnadas pelo tempo, ao lado de meu estábulo e me deparei com as primeiras horas do dia. Meu pensamento ambíguo e incrédulo já me atormentava. Eram 3 da manhã, do dia 15 de setembro, dia em que, há exatos dois anos, meu pai perdia a vida em meu colo. Só e triste. Um dia marcado pela exacerbação da pobre alma, insípida e calejada. Um dia marcado para nunca mais ser o mesmo.

Desde então, minha psíquica mente me atormenta. Desisti de pensar no quão difícil era evitar minhas visões e audições e resolvi me contemplar com o que tinham me destinado. E então pensei:

- Me suicidaram. Suicidaram-me para um mundo diferente, no qual não se morre, apenas aperfeiçoa-se a lunática mentalidade.

Assim, pus-me de pé. Arrastei-me até o lavabo. Meus olhos inchados de preocupação pareciam não mais abrir. Mas sabia que em algumas horas, podia não mais estar ali. Aproveitei então aqueles sofridos e deliciosos minutos de apreciação da vida. A vida que me consome, que me angaria, que me mantém como uma espécie em extinção. Percebi ser apenas um simples ser que pensa e reflete sobre os seus próprios insanos e lógicos pensamentos psicotraumáticos de suma importância. Declarei então em sábias palavras o meu ardor:

- Às vezes eu choro, choro por nada, choro por tudo. Pareço sentir o sofrimento do mundo, de uma criança sem estudo, de uma criança intelectual. Pareço sair do meu corpo, um corpo ativo, um corpo parado. A alma de um vivo em um corpo deitado.

Até o ponto de ônibus eu caminhei, sem olhar para nenhum dos lados. Um vazio e uma loucura alimentavam meu peito. Tinha medo do meu próprio caminhar e do sussurro ouvido a todo tempo. Um desespero que me rasgava o peito. De um certo modo, completamente perturbado.

De degrau em degrau, entrei em meu mais tortuoso inimigo. O ônibus. Um aglomerado de mentes alheias e uma malevolência da profunda energia habitada neste ardoroso ambiente. Sentei-me no primeiro e único banco perto do vidro e permaneci imóvel, olhando para frente. Para mim mesmo sussurrei o pensamento mais angustiado de toda uma vida. Peguei uma carta em meu bolso contendo as palavras de quem não mais queria viver e li em voz baixa.

“A sombra me persegue sob a névoa. Não consigo me mover. Sou incompreendido. Preso em um muro ou em meu próprio pensamento. Meus olhos já não fixam em algum lugar. Como a lua pára pra te olhar. Estes vilipendiados olhos doem, choram e imploram para que fiquem só. Não consigo me livrar do infortúnio calar. Sinto pessoas a me olhar como um animal devora a sua insípida carniça. Creio que irão matar-me. Sinto-me desprotegido, frágil, inútil. Sinto-me sem amor, sem dor e sem desejo. Já não sei o que fazer. Procuro a solidão para que minha trágica energia não contagie as pessoas. Para que meu olhar não cruze com os demais, assim terei meus próprios sentimentos. Meu próprio coração. Que a cada despertar encontra o silêncio. Estou surdo e cego, estou inválido. Me submeto ao inoportuno desespero. Ao incômodo calar. Viver agora dói. Não mais a quero”.

Uma carta suicida? Ou apenas uma carta de quem tem sentimentos mediúnicos interferidos pelo contato espacial e psicológico do desconhecido? Eu não sei.

Desci do ônibus pelas ruas do centro da cidade. Olhei para os maiores prédios e me imaginei despencando de mais ou menos 20 andares. Olhei para o lado, me deparei com uma pessoa sentada em uma pedra e reparei a árida angústia que medra em teu olhar. Os pés pareciam enfraquecidos, tuas ávidas mãos dóceis e calejadas seguravam um pedaço de pão, sujo e cheio de vermes. Mas essa pessoa precisa alimentar seus filhos. Como pensar em algo limpo e saudável? O suor escaldante e o silencioso olhar me fizeram desistir de pular do edifício. O desespero e a angústia de viver me proporcionam isso.

Segui em frente. Caminhei durante muito tempo, pensando em minha simples e dispersa trajetória de vida. A falta de estímulo e conexão com o tempo real era o princípio de minha angústia. Pensei estar no fim. Disseram que eu era anormal, estranho e sozinho. Parecia um louco autista. Andei mais um pouco e me comovi com uma triste senhora imóvel, em pé, de olhos fechados, apontados para o céu. A vi sorrindo como se não a quisesse. A sua mão estava em sua testa franzida e suada, como quem sua em um estado altamente febril. Abriu os olhos e, com um olhar insano de quem não precisa mais viver, fez-se uma lágrima descer lentamente, como um único adeus. Assim, esta triste mulher saltou-se na frente de um ônibus e para uma outra vida seguiu. Um outro plano espiritual que não mais este em que vivia.

Pensei inconformado em o que mais poderia acontecer de ruim para fazer com que não desistisse assim tão fácil de minha vida que, aparentemente, parecia normal. Rapidamente, desci a rua. Desesperado e chorando, achava que a desgraça e a morte estavam me perseguindo. Mas como correr de algo que estava buscando? Algo que eu mesmo aclamava e dizia ser o melhor para mim? Uma contradição vista de um lado obscuro. Vista de cima. Minha alma acabava de sair do corpo em movimento. Meu corpo frágil e transparente, suscetível a sentimentos malévolos e impuros. Um corpo que neste momento era de carne e osso e não de vida. Corri por entre as ruas, carros e transeuntes do centro da cidade. Parei em uma rua na qual um arco embelezava o incrível viaduto.

Sem nenhuma calma e com um medo agonizante, queria morrer para fugir da morte. Tomei coragem e subi no estreito pára-peito do viaduto antigo e sujo que resistia à cidade. Um viaduto que já embelezou e consagrou aquele lugar, como um símbolo, mas que ali estava desgastado, cheio de urina e fezes, depredado pela própria população, adquirindo um aspecto incrivelmente propício para a pior maneira de terminar uma vida.

Quanto mais gente chegava, mais eu subia e atingia o alto ponto do arco. Assustado, atônito e desfacelado, não entendia porque eu era assim tão atormentado. Olhei para baixo e vi o quanto a vida era frágil, e quantas pessoas ali paradas me viam sofrer. Quando, do outro lado, me deparei com minha alma sentada no arco, olhando com um olhar que se despedia, um olhar que eu nunca teria visto, a não ser nos últimos segundos de minha vida. Como se não quisesse, mais um passo dei em direção a rua e do alto do viaduto minha vida inteira passou na indesejável e vaga lembrança que ali me destinara até o impacto.

Ali, em minhas mãos fechadas, havia um pequeno bilhete, um bilhete ensangüentado pelo cair da vida. Algo que poderia desvendar a angústia e o desespero deste feito. Um pequeno poema. Uma tradução da vida, escrita pelo poeta Rimbaud. “A estrela chorou rosa no coração de teus ouvidos. O infinito rolou branco de tua nuca a teus rins. O mar orvalhou ruivo em teus seios tingidos. E o homem sangrou negro nos teus flancos paladins”. *


* Citação do poema “A estrela chorou rosa” de Arthur Rimbaud